quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Um poema de Neruda

Há alguns anos eu amei muito esse poema. Sonhei com ele ontem, resolvi deixá-lo aqui, por nostalgia...
Ah, este na estrada nebulosa é Neruda. Bela foto, bela dor!

Posso escrever os versos mais tristes esta noite

Escrever por exemplo: A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância

Gira o vento da noite pelo céu e canta

Posso escrever os versos mais tristes esta noite

Eu a quis e por vezes ela também me quis

Em noites como esta, apertei-a em meus braços

Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito

Ela me quis e às vezes eu também a queria

Como não ter amado seus grandes olhos fixos ?

Posso escrever os versos mais lindos esta noite

Pensar que não a tenho

Sentir que já a perdi

Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela

E cai o verso na alma como orvalho no trigo

Que importa se não pode o meu amor guardá-la ?

A noite está estrelada e ela não está comigo

Isso é tudo.

À distância alguém canta.

À distância

Minha alma se exaspera por havê-la perdido

Para tê-la mais perto meu olhar a procura

Meu coração procura-a, ela não está comigo

A mesma noite faz brancas as mesmas árvores

Já não somos os mesmos que antes havíamos sido

Já não a quero, é certo

Porém quanto a queria !

A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido

De outro.

Será de outro como antes de meus beijos

Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos

Já não a quero, é certo, porém talvez a queira

Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o esquecimento

Porque em noites como esta eu a apertei em meus braços,

Minha alma se exaspera por havê-la perdido

Mesmo que seja a última esta dor que me causa

E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito.

3 comentários:

Emília disse...

Eu ainda gosto muito desse poema...

Emile disse...

eu também... É por isso que ele tá aqui!

Amiga da Amèlie disse...

Amoooo :)
Essa poesia toca bem no fundo da nossa alma!!!