quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Eu amo Domingos Oliveira!

As minhas aventuras pelo mundo da cinefilia estavam bastante comprometidas e incompletas até eu conhecer Domingos Oliveira em seu novo filme Juventude. Eu já tinha lido umas coisas que ele escreve na revista Bravo! , inclusive uma reportagem que é na verdade uma carta a Woody Allen lindíssima em que o cineasta brasileiro confessa toda a influência que sofreu dele e todo o desejo de ser igual ao cineasta de NovaYork. mas até aí eu não conhecia o trabalho de Domingos Oliveira e nem tinha ligado o nome dele ao emblemático "Todas as mulheres do mundo" (cuja direção ele assina) e ao programa "Todos os homens do mundo" que passa no Canal Brasil em que ocorrem uma série de entrevistas com grandes caras realizadas pela Priscilla Rozenbaum. Enfim: eu fui a um festival de cinema em novembro de 2008 e vi o incrível Juventude. Daí eu fiquei interessadíssima em Domingos Oliveira e passei a freqüentar o blog dele; e foi lá inclusive que eu descobri que a Casa de Cinema de Porto Alegre tinha editado uma caixa com quatro filmes dele, inclusive o mítico Todas as mulheres... com a Leila Diniz. Corri na Livraria Cultura e comprei. Hoje terminei de ver o último e agora posso confirmar minha admiração pelo Domingos Oliveira e pelo seu trabalho inovador no cinema brasileiro. É também muito evidente sua veia Woody Allen, a neurose, a preocupação com a arte, com os amores e seus percalços, com as ironias que o destino nos reserva. Em Todas as mulheres do mundo eu vi um pouco de Godard (O Acossado) e vi também como Leila realmente é tudo isso que todo mundo fala que ela é; com os dois mais recentes, Amores (1998) e Separações (2002), eu e meu pai (que estava assistindo comigo) nos divertimos muito e constatei que há uma novidade muito legal na forma narrativa de dispor o personagem narrando a si mesmo para a tela. Hoje fechei a caixinha com Edu, coração de ouro e fiquei impressionada com a atualidade do personagem e em como Domingos conseguiu, em 1967, trazer para o filme coisas que vivemos com muito mais intensidade hoje. É claro que o Rio de 67 não é o de hoje e o glamour das cenas externas nas quais Paulo José percorre a cidade maravilhosa em estado de extrema felicidade não seriam tão verossímeis hoje, mas o jovem rapaz muito bacana e de bem com a vida, mas inconseqüente, playboy, pregüiçoso e irresistível ainda existe e é igualzinho a um monte de amigos meus com menos de 30. Adorei as últimas frases do filme, antes de subirem os créditos, ela também se parece muito com os dias atuais e é com ela que eu finalizo este post. Beijo e até a próxima:
Se muito esforço custa
ter com a vida um compromisso
também custa muito esforço
nada ter a ver com isso
Edu, coração de ouro (1967)

Um comentário:

Amiga da Amèlie disse...

Eu pouca coisa sabia à respeito de Domingos Oliveira!
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Tinha ouvido falar do seu envolvimento com sucesso no teatro... produzido a peça "Confissões de adolescente" junto com sua filha, a atriz Maria Mariana! (sucesso na minha época de adolescente)
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Agora com essas boas dicas de Cinema Nacional...vou tratar de procurar algo dele por aqui...
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Espero encontrar!
Estou no NE do BRA...e pra ti em Brasília o acesso é bem mais fácil!
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Um abração Émile