segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Sobre "Desmundo", livro e filme

Pensando na minha disciplina do ano que vem na UEG eu comprei hoje o romance Desmundo de Ana Miranda, livro de 96 que se passa no Brasil colônia do século XVI. A narração é um relato íntimo de uma perspectiva feminina pois é Oribela, uma órfã trazida para a colônia no intuito de esposar os cristãos primeiros colonizadores, quem tem o poder de contar, à sua maneira sensível e calorosa, as desventuras de ser mulher num mundo primitivo e virado do avesso. Me interessa muito a percepção de Ana Miranda - uma escritora contemporânea - das contigências do mundo colonial e o ponto de vista feminino da personagem Oribela, que representa uma inovação na forma de ver o Brasil de 1500. Além disso, sem estabelecer simples oposição entre índios e brancos, a escritora constrói muito bem a complexa relação entre os habitantes deste desmundo e descreve com propriedade o processo de trocas culturais. Bonito também é o trabalho de linguagem do romance, fiel ao passado que representa. Esse aspecto foi uma preocupação também do diretor Alain Fresnot que levou o livro ao cinema. Grande transposição, o Desmundo de Fresnot é falado em português arcaico e tem excelentes interpretações de Simone Spoladore e Osmar Prado. Poucos filmes brasileiros (talvez nenhum) conseguiram uma representação tão artística e sincera de nossa terra colonial quanto este. Para saber mais sobre o filme, indico o texto de Rosane Pavam no site Revista de cinema. Enfim, indicados livro e filme a todos que acompanham este blog, principalmente meus futuros alunos do segundo ano de Letras da UEG. Conselho: procurem já, porque será leitura obrigatória logo no início de nosso curso!
Beijo...

2 comentários:

Rayanne disse...

Já tive a oportunidade e assistir o filme. Um dos filmes mais expressivos que já vi, rico em variações linguisticas aproxima o telespectador da trama, a representação artística despensa comentários. Desmundo é um convite a refletir sobre o passado das mulheres que não tinham uma concepção comum de vida naquela época, o grande xis da questão era não aceitar a submissão aos homens. Oribela lutava para ser feliz em uma época que mulheres não tinham poder de escolha. Assistir Desmundo alerta que hoje ser feliz é muito fácil você pode escolher. Sendo o filme maravilhoso já encomendei meu livro... bjs

Emile disse...

É isso aí, garota!!!
Vamos arrasar em 2009 na Literatura brasileira I. Beijo!!!